O período neoclássico para a música
e a pintura é denominado como Era Clássica, e para a literatura, assunto que
falaremos nesse post, recebe o nome de Arcadismo.
Resumindo o que foi dito no post
anterior pela nossa amiga Rafaela, as principais características da música
neoclássica envolvem a claridade, a simetria e o equilíbrio em todos os seus
aspectos; uma melodia simples e correta, baseada na racionalidade. Franz Joseph
Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven foram os principais
compositores da época, colocando em suas composições as características do
Neoclássico.
Entretanto, se comportou a literatura
da mesma forma que a música ? Foi sua linguagem clara e sintética, colocada de
maneira correta e nobre quanto à gramática e linguagem, obedecendo aos
requisitos previamente comentados ? A resposta é positiva: o movimento
arcadista foi consequência de mudanças sociais que propunham novas filosofias e
formas de fazer arte; a razão tomou o lugar da religião.
Características do Arcadismo e sua
relação com a Música Neoclássica
Este
movimento buscava repudiar o rebuscamento do Barroco, período anterior ao
Neoclássico e considerado de “mau gosto”. A base dos escritos da época era o
ideal iluminista; os textos procuravam a simplicidade, oposta ao retrocedimento
barroco, que também contava com muitos recursos estilísticos e ornamentação, os
quais objetivavam mostrar a erudição do autor barroco. As arcádias em grupos de
poetas e críticos neoclássicos que se reuniam para que os textos não possuíssem
nenhuma dessas características, mas sim a racionalidade.
Muitas
obras foram produzidas pelas arcádias durante os séculos XVII e XVIII, dentro
das quais destaca-se A arte poética,
do francês Nicolas Boileau. Nela, ele discute os vários gêneros literários a
fim de formular os princípios adequados para produzir poesia e alerta quais
erros deveriam ser evitados. O texto de Boileau foi inspirado em Arte poética de Aristóteles; podemos
ver, portanto, que há a retomada dos valores clássicos da Antiguidade Grega e
Romana.
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Na foto, Nicolas Boileau, que foi nomeado cronista real pelo rei Luís XIV. |
A
música neoclássica, da mesma forma que os textos, possuía o mesmo obejtivo:
simplificar as estruturas musicais barrocas, que envolviam um estilo onde havia
a simultaneidade de melodias diferentes, confuso para os neoclássicos. Logo, é
perceptível que tanto a música como a literatura prezavam a clareza, a
linearidade, objetividade e a harmonia, retomando assim os valores clássicos.
Há
outros pontos nos quais é importante manter o foco nas duas áreas quanto ao
Neoclassicismo. A impessoalidade, tanto na música quanto na escrita, era um
preceito do “bem escrever” para o período: muitas vezes, a emoção poderia
comprometer a arte poética. Como o antropocentrismo, a razão e o materialismo
eram as bases do pensamento neoclássico, o amor carnal substituiu o platônico,
o qual envolvia a idealização de um amor perfeito e inalcançável. Alguns
clichês latinos também eram usados para marcar a qualidade dos textos, como por
exemplo, um dos mais populares, o Carpe diem, que quer dizer
“aproveite seu dia”.
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Nas pinturas do período, o meio rural também estava representado nas artes. |
Além dos elementos já mencionados, o
bucolismo (busca de uma vida simples e pastoril), a exaltação da natureza (fuga
das cidades na procura de um refúgio poético), pacificidade amorosa
(relacionamentos tranquilos) eram temas frequentes nos textos arcadistas, com
períodos curtos e versos sem rima (clareza na escrita), presentes também na
música.
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