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domingo, 13 de abril de 2014

A Literatura no Neoclassicismo

O período neoclássico para a música e a pintura é denominado como Era Clássica, e para a literatura, assunto que falaremos nesse post, recebe o nome de Arcadismo.
       Resumindo o que foi dito no post anterior pela nossa amiga Rafaela, as principais características da música neoclássica envolvem a claridade, a simetria e o equilíbrio em todos os seus aspectos; uma melodia simples e correta, baseada na racionalidade. Franz Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven foram os principais compositores da época, colocando em suas composições as características do Neoclássico.
            Entretanto, se comportou a literatura da mesma forma que a música ? Foi sua linguagem clara e sintética, colocada de maneira correta e nobre quanto à gramática e linguagem, obedecendo aos requisitos previamente comentados ? A resposta é positiva: o movimento arcadista foi consequência de mudanças sociais que propunham novas filosofias e formas de fazer arte; a razão tomou o lugar da religião.
    
        Características do Arcadismo e sua relação com a Música Neoclássica

Este movimento buscava repudiar o rebuscamento do Barroco, período anterior ao Neoclássico e considerado de “mau gosto”. A base dos escritos da época era o ideal iluminista; os textos procuravam a simplicidade, oposta ao retrocedimento barroco, que também contava com muitos recursos estilísticos e ornamentação, os quais objetivavam mostrar a erudição do autor barroco. As arcádias em grupos de poetas e críticos neoclássicos que se reuniam para que os textos não possuíssem nenhuma dessas características, mas sim a racionalidade.
Muitas obras foram produzidas pelas arcádias durante os séculos XVII e XVIII, dentro das quais destaca-se A arte poética, do francês Nicolas Boileau. Nela, ele discute os vários gêneros literários a fim de formular os princípios adequados para produzir poesia e alerta quais erros deveriam ser evitados. O texto de Boileau foi inspirado em Arte poética de Aristóteles; podemos ver, portanto, que há a retomada dos valores clássicos da Antiguidade Grega e Romana.

Na foto, Nicolas Boileau, que foi nomeado cronista real pelo rei  Luís XIV.


A música neoclássica, da mesma forma que os textos, possuía o mesmo obejtivo: simplificar as estruturas musicais barrocas, que envolviam um estilo onde havia a simultaneidade de melodias diferentes, confuso para os neoclássicos. Logo, é perceptível que tanto a música como a literatura prezavam a clareza, a linearidade, objetividade e a harmonia, retomando assim os valores clássicos.
Há outros pontos nos quais é importante manter o foco nas duas áreas quanto ao Neoclassicismo. A impessoalidade, tanto na música quanto na escrita, era um preceito do “bem escrever” para o período: muitas vezes, a emoção poderia comprometer a arte poética. Como o antropocentrismo, a razão e o materialismo eram as bases do pensamento neoclássico, o amor carnal substituiu o platônico, o qual envolvia a idealização de um amor perfeito e inalcançável. Alguns clichês latinos também eram usados para marcar a qualidade dos textos, como por exemplo, um dos mais populares, o Carpe diem, que quer dizer “aproveite seu dia”.


Nas pinturas do período, o meio rural também estava representado nas artes.

     Além dos elementos já mencionados, o bucolismo (busca de uma vida simples e pastoril), a exaltação da natureza (fuga das cidades na procura de um refúgio poético), pacificidade amorosa (relacionamentos tranquilos) eram temas frequentes nos textos arcadistas, com períodos curtos e versos sem rima (clareza na escrita), presentes também na música.

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